UMA LIÇÃO DE VIDA

Colegas não sei se este vídeo já foi indicado pelas professoras, pelo menos eu não vi. Hoje ao abrir meu e-mail fiquei irritada pois demorou muito para baixar pois tinha um muito grande que impedia de baixar os outros e eu estava com pressa. Qual foi minha surpresa quando finalmente baixou todo e vi que se tratava deste vídeo. Ele me foi enviado por uma prima que mora em SC. Depois de assistir fiquei com vergonha de mim mesma por ter reclamado tanto pela demora. Não tem como não se emocionar ao ouvir o relato deste rapaz. Com certeza depois de assistír todos, assim como eu, vão ficar pensando qual o verdadeiro sentido da vida, e acima de tudo agradecer por cada dia vivido, sem reclamar de pequenos "problemas" como a demora de um e-mail.

AH! Quando terminou não aguentei a vontade e fui até o quarto da minha filha que estava dormindo, peguei ela no colo, dei umabraço bem apertado e enchi ela de beijo, agradecendo a Deus por ela existir.

Na terça-feira desta semana, dia da Educação, participei de um seminário sobre inclusão escolar com uma psicóloga pós-graduada em neurologia e com uma fonoaudióloga que trabalham na APAE no município de Alvorada. Durante o seminário, ouvindo relatos de colegas professoras, pude constatar que este assunto aflige não só a mim, mas a todos que trabalham na educação, seja em escolas publicas ou particulares. Conversamos inicialmente sobre a diferença entre inclusão e interação:

  • A inclusão ocorre quando se busca qualidade para TODAS as pessoas com e sem deficiência.
  • A integração é usada quando se busca qualidade nas estruturas que atendem apenas as pessoas com deficiência consideradas aptas.

A partir daí pensamos no que seria necessário para que o aluno portador de necessidades educacionais especiais fosse efetivamente incluso no ensino regular. Chegamos aos seguintes aspectos a serem considerados para que esta inclusão ocorra de forma eficaz:

  • Uma melhor política educacional
  • Mudança curricular
  • Capacitação profissional
  • Apoio dos pais
  • Infra-estrutura de acesso
  • Aumento de atividades socializadoras
  • Um planejamento dinâmico e flexível

No entanto o mais importante é nos questionar-mos que antes de pensar como ensinar estes alunos é entender como este aluno aprende. Para isso, precisamos buscar informações para que possamos entender quais a necessidades e dificuldades encontradas por estes alunos. Desta forma é estritamente necessária à interação entre a escola, a família e todos envolvidos no atendimento especializado que este aluno recebe fora do ambiente escolar. Assim o professor terá como saber qual a deficiência que este aluno possui as características da sua deficiência e também suas limitações.

A partir daí é que o professor terá condições de buscar recursos para trabalhar com este aluno, partindo assim de que forma e o que ele aprende.

Hoje sabemos que a inclusão torna-se difícil devido a vários fatores:

  • Atitudes negativas em relação à deficiência
  • Custo
  • Acesso
  • Tamanho das turmas
  • Pobreza
  • Descriminação
  • Desinformação por parte da comunidade escolar
  • Carência de recursos financeiros e humanos nas escolas, etc.

No entanto a meu ver o obstáculo mais difícil a ser superado é o que vem sendo colocado pelos profissionais da educação, que tentam de todas as formas fazer com que esta proposta de inclusão não dê certo, fechando seus olhos e cruzando os braços frente a esta realidade. Nota-se isto visivelmente ao constatar que poucas pessoas se escreveram neste seminário, já que haviam outros sobre assuntos mais corriqueiros com alfabetização, jogos matemáticos, recreação, etc.

Infelizmente como a educação é muito desvalorizada em nosso país, o professor acabou por ficar no ultimo degrau desta busca pela inclusão escolar. Primeiro vieram às leis, os banheiros adaptados, as rampas de acesso, os portadores de deficiência e por último nós, os profissionais da educação. Não seria óbvio que fosse o contrário.

Conversando com colegas percebi que nossos anseios e dúvidas se assemelham bastante. Assim como elas também me sinto como uma gota no oceano, tentando fazer a diferença, mas encontrando muitos obstáculos a cada passo que tento dar.